Menina bonita do laço de fita. Sonhava dormindo e acordada também. Escrevia poesia, desenhava coração e jardim. Tinha o futuro decidido. Moraria sozinha aos 18, casaria com príncipe encantado aos 21, teria filho aos 23 anos. Seria rica, teria filhos lindos e obviamente teria uma vida animada e diferente da vida da mãe. Menina bonita do laço de fita. Cresceu e não foi morar sozinha, não tinha dinheiro pra comprar nem máquina de lavar, pensou sem pensar que era melhor morar com a mãe. Menina bonita do laço de fita. Conheceu um príncipe encantado, que a tratava como princesa a tal ponto que não tinha “pegada”. Conheceu outro cara, que dava em cima das suas amigas de vez em quando, fazia com que ela se sentia uma mulher comum, mas viva. Deu um pé na bunda do príncipe e se casou com o cafajeste depois dos 30. Menina bonita do laço de fita, queria filhos loiros-lindos quando pequena, mas quando cresceu seu relógio biológico parou antes de chegar a vontade de ser mãe. Decidiu não ter filhos, que era pra não correr o risco de cair na vida chata da sua mãe. Menina bonita do laço de fita nem era tão bonita assim. A essa altura o leitor pode estar com dó da menina, mas eu devo advertir-lhes de que a menina crescida foi muito feliz. Porque se a moça do laço não conseguiu nada do que queria na vida, foi porque simplesmente mudou de ideia pelo caminho. O desejo da menina estava sempre a se deslocar, e o fato dela não atingir os objetivos que traçava pra sua vida, mais tinham a ver com os deslocamentos dos quereres dela, do que com frustração. A moça nem tão bonita sem o laço de fita era feliz porque sem saber sabia disso, que felicidade nada tem a ver com encontrar algo que se busca, mas em se perder no labirinto da vida. Menina nem tão bonita sem o laço de fita foi um pouco feliz, um pouco triste e depois morreu.
Postado em 5-04-2012 às 1:29am, Reblog This! 26





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